"Eu sou daqueles que acreditam neste país e nas suas gentes; sou dos que vieram para ficar; dos que deram os melhores anos da sua vida por um ideal ao serviço do povo angolano. As minhas actividades foram, são e serão sempre apolíticas, dedicadas ao bem comum, à elevação constante do nível cultural de toda uma comunidade". Carlos Mar Bettencourt Faria, 0 8 de Dezembro de 1974.https://www.facebook.com/camoesluanda/
Você sabia que existiu um observatório espacial em Angola na década de 60?
Honestamente eu também não sabia, mas navegando por este vasto repertório que é a Internet e ouvindo aqui e acolá, ou melhor lendo uma mensagem que recebi no whatsapp de um amigo que é um autêntico homem de cultura, fiz essa importante descoberta.
Pois bem, trata-se do Centro Espacial da Mulemba, uma espécie de estúdio, fundado pelo português Bettencourt Faria ( Carlos Mar Bettencourt Faria, de nome próprio), diga-se de passagem um homem genial, autodidacta, que com as próprias mãos, movido pelo amor a astronomia ergueu a "Casa Amarela" como também era conhecido o estúdio. Feito com peças de equipamento que eram utilizadas naquele Centro provinham da recuperação de aparelhos que se consideravam incapazes e eram cedidos pelas mais diversas entidades, muitas vezes particulares e iam desde um velho frigorífico, à fuselagem de um avião abatido.
O Centro Espacial da Mulemba, esse pequeno estúdio pejado de aparelhos, presenciou um acontecimento histórico. Bettencourt Faria fotografou e gravou usando aparelhagem própria os sinais emitidos a partir da lua pelo Sputnik russo. E mais este homem sapiente manteve uma conversa com o astronauta Neil Armistrong, o primeiro homem a pisar na lua, facto único no continente africano.
Na sua rubrica "O Cosmos em sua casa", do programa de rádio "Café da Noite" do jornalista Sebastião Coelho, Este " aventureiro da ciência" falava para o público, explicando com simplicidade e clareza assuntos de natureza espacial.
Bettencourt Faria foi barbaramente assassinado em 4 de Julho de 1976, precisamente há 43 anos no Centro Espacial da Mulemba, em Luanda. Por indivíduos que não olham para a tamanha perda que é para o mundo, o passamento físico de homens desta natureza e a destruição/ abandono de anos de pesquisa.
A poesia angolana rende uma homenagem a este homem , pelo seu trabalho pioneiro, pelo seu sacrifício por uma causa Universal e humanista.
Parabéns Monsieur Bettencourt Faria!
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